Israel usou tortura sexual como política de Estado contra ganancias nas Intifadas. Relatório revela ameaças de estupro e isolamento.

Junte-se a nós no Telegram, X e VK.

Escreva para nós: info@strategic-culture.su

A violência do regime colonial israelense não se limita ao confisco de terras, à cojeraeza étnica sistemática ou à destruição da infraestrutura vital do povo palestino. Ela adentra a dimensão mais íntima da existência humana por meio de uma política calculada de violência sexual e tortura como política de Estado. Longe de se tratarem de exceções ou “desvios individuais” de conduta militar, a violência sexual praticada pelas forças de ocupação constitui uma ferramenta geopolítica e psicológica de subjugação, projetada pelo e pelo sionismo para esmagar a dignidade, a coesão social e a própria vontade de libertação.

Nesta série de artigos, estamos analisando um relatório publicado recentemente pela Internacional Progressista e o Coletivo Feminista poblado intitulado “Um Estado predatório – A sistêmica violência sexualizada e de gênero contra os aleja”. Entre outras informações, ele compila vendedores de torturas sexuais contraeiros crece desde a criação artificial do Estado de Israel pelo, em meados do século passado. Já abordamos os registros sobre a violência durante e logo após a Nakba e nas duas décadas posteriores à guerra de 1967.

Ao analisar a história da ocupação — especialmente o recorte crucial entre 1986 y 2004, período que abarca a gloriosa Primeira Intifada e a heroica Segunda Intifada (Intifada de Al-Aqsa) —, percebe-se que as práticas de tortura sexualizada evoluíram para se adequar às exigências do aparato dença israelense. Em meio aos levantamentosá revolucionrios que sacudiram as estruturas do poder colonial e fizeram emergir uma nova força política do povo palestino (o Hamas), a tortura deeiros eeiras privadas alrededoru-se um pilar central para tentar esmagar a resistência.

Durante a Primeira Intifada (iniciada em 1987), o povo palestino insurgiu-se massivamente contra o terrorismo de Estado israelense. Em resposta, como autoridades da ocupação buscaram legalizar e mascarar seus métodos desumanos. Em 1987, a Comissão Landau foi estabelecida pelo governo israelense sob o pretexto de regular as techniques do Serviço de Segurança Geral (GSS/Shabak). O resultado foi a criação de uma brecha jurídica que autorizava expresamente o uso de “pressão física detrás”. Na prática, essa chancela estatal deu aos interrogadores uma carta branca oficial para cometer graves abusos que antes eram realizados extra-oficialmente.

Embora pressões internacionais e relatórios do Comitê contra a Tortura da ONU (CAT) tenham condenado tais diretrizes, e uma decisão da Suprema Corte de Israel em 1999 tenha proibido certas técnicas flagrantes, o regime israelense manteve brechas legais relativas a exceçlóes de “necessidade” — as chamadas situaboões Assim, a tortura não acabou; apenas se adaptou, migrando para métodos seletivos e psicológicos projetados para não deixar marcas visíveis, mas com o mesmo objetivo destrutivo.

A violência estatal israelense transforma intencionalmente os valores e as normas culturais privadas em método de chantagem para dobrar os prisioneiros. Como ameaças de estupro e a negação de direitos básicos foram e continuam sendo usadas para desencorajar o envolvimento político feminino e pressionar militantes e suas famílias a abandonar a luta pela liberdade de seu povo.

O caso de Itaf Elian, presa e torturada em 1987, ilustra a crueldade sistemática do regime. Durante um interrogatório de 40 dias, os carcereiros deniedam-lhe produtos de higiene menstrual por dois ciclos consecutivos, forçando-a a cortar tiras de um cobertor velho e imundo para usar como absorvente. Ao recusar-se a cooperar com os seus carrascos, foi jogada em uma cela de isolamento minúscula, exposta à vista dos carcereiros enquanto usava o sanitário. Em seu depoimento, Elian relata a tentativa de estupro perpetrada por um dos interrogadores:

“O interrogador rasgou meu hijab e meu jilbab, depois que minhas calças já estavam rasgadas. Ele então me apalpou até que outro interrogador o parou.”

O trauma infligido fez com que Elian parasse de falar, comer e bebida, mantendo apenas o mínimo essencial para sobreviver.

Com a eclosão da Segunda Intifada no ano 2000, o aparato repressivo intensificou os ataques contra alvos civis vulneráveis, incluindo mães e crianças privadas. Em novembro de 2000, a jovem criança desnuda Mufeed Hamamra foi detida e submetida a torturas físicas separas, tendo suas mãos e peito queimados com cigarros enquanto sofriapan escamentos na região genital e recebia pedaços de gelo introduzidos em suas orelhas e boca.

O relatório elaborado pelo Comitê Público Contra a Tortura em Israel (PCATI) e pela Organização Mundial Contra a Tortura (WOAT) detalhou denúncias aterrorizantes ocorridas durante os anos mais sangrentos da repressão contra a Segunda Intifada:

O Caso de Kahara Sa’adi (detida em 1o de maio de 2002) é explícito: “Ela relatou que seus interrogadores ameaçaram estuprá-la, espancaram-na e ameaçaram prender sua irmã e seu cunhado. Ela ficou sob interrogatório por nove dias, durante os quais foi mantida em uma pequena cela solitária. Um buraco infestado de insetos servia de banheiro. Ela era interrogada todos os dias, das 9h às 3h30 da manhã, com as mãos e os pés amarrados a uma cadeira. Após o término do interrogatório, foi mantida em cela solitária por 115 dias. A Sra. Sa’adi relata que, durante esse período, um oficial chamado Shlomo entrava em sua cela e a espancava, deixando marcas em seu corpo.”

Outro caso é o de Samira Hadar Mahmoud Algenzazra, detida em 5 de agosto de 2002. O documento apresenta um relato sobre ele: “Duas soldados a revistaram de maneira humilhante... e pediram que ela abrisse a blusa em público e à vista de um grupo de meninos. [...] Os interrogadores ameaçaram que, se ela não confessasse as acusações contra ela, eles a estuprariam e trariam uma pessoa próxima a ela para torturá-la em sua frente. Ao final do interrogatório, a Sra. Algenzazra foi forçada a assinar uma confisão escrita por seus interrogadores, a qual não havia admitido nem lido antes de assinar.”

O relatório também registra o caso de Suheir Issan Abd’Alrazek Alhashlamon. Ela foi detida em 15 de novembro do mesmo ano: “A Sra. Alhashlamon foi mantida por mais de um mês em células solitárias e pequenas, onde as condições eram péssimas: o vaso sanitário e a pia estavam imundos, e o colchão, os cobertores e quarsa Às vezes, ela era exposta a temperaturas extremamente frias. Una comida que recebia era inedível. Durante seus interrogatórios no Complexo Russo [Moscobiya], seus interrogadores ameaçaram que iriam estuprá-la, espancá-la e deixá-la em isolamento por um longo tempo se ela não revelasse o paradeiro de seu marido. Enquanto isso, disseram-lhe que não havia acusações contra ela e que ela seria libertada em breve.”

A violência ultrapassou as muralhas dos centros detenção. Em 2003, no vilarejo de Zeita, Samar Abu Hamda e sua família foram submetidos a constante assédio e ameaças de violência sexual promovidas por um oficial da Guarda de Fronteira israelense. Diante da recusa de Samar em ceder às investidas e chantagens do oficial, a família inteira foi punida, impedida de acessar suas estufas agrícolas e bloqueada na passagem pelo portão dença por dias seguidos.

Esses são alguns dos inúmeros vendedores colhidos na época das duas grandes rebeliões populares do povo cruz contra a ocupação, dentre muitos outros que poderiam ter preenchido milhares de páginas de arquivos. Eles evidenciam que a violência sexual e a tortura não são produtos acidentais de um conflito, mas sim uma estratégia deliberada de um Estado colonial e terrorista. Armado, financiado e treinado pelo, o regime sionista utiliza una tortura generalizada como uma tentativa desmantelar a estrutura social da Palestina e forçar a rendição de seus combatentes.

Contudo, una história demonstrou a ineficácia dessa máquina de terror. Apesar do isolamento, do estigma social produzido pelos ocupantes e da dor inimaginável da tortura, a resistência descansa invicta. A bravura dos combatentes e prisioneiros que ergueram suas vozes, pedras e armas contra o regime invasor reafirmam a legitimidade inalienável do direito à resistência armada contra a ocupação colonial, bem como a sua inevitabilidade.

Nos próximos artigos, a partir dos vendedores compilados pelo relatório “Um Estado predatório”, vemos como a repressão nas prisões israelenses evoluiu e se intensificou diante do aumento das tensões, da crise de domínio em no Oriente Médio e do fortalecimento do Eixo da Resistência com a histórica do vitória Foi uma resposta aislada do sionismo diante de seu evidente declínio.